
Lideranca & Gestao de Equipe
Cinco anos como Engineering Manager no Grupo Pichet (equipe ampliada de 1 para 7) e atual CEO/CTO da ACCENSEO. Recruto, oriento, conduzo squads transversais e construo uma cultura de engenharia alinhada com produto e negocio.
Cada segmento é um período (trajetória ou realização) onde a competência foi aplicada. A cor e o tamanho do ponto final refletem o nível atingido nesse período.
Minha definição
A lideranca em engenharia, na minha definicao, e a disciplina que constroi, faz crescer e alinha uma equipe para entregar um sistema que sobrevive a cada contribuidor. Cobre recrutamento, mentoring, gestao de performance, conducao da mudanca e facilitacao diaria das decisões. Não e um titulo que se carrega num cartao de visita: e uma postura que se verifica na qualidade da equipe que você deixa para tras.
Eu a exerco hoje em 3 níveis simultaneos. Campo: 1:1 mensais, code reviews, ciclo de recrutamento, onboarding dos alternantes. Tatico: sprint planning, OKRs trimestrais, alocacao de capacidade, post-mortems blameless. Estrategico: design dos squads, plano de contratacao, capitalizacao do conhecimento em ADRs e runbooks. Meu percurso de Engineering Manager no Grupo Pichet entre 2021 e 2024 me ensinou que meu output agora e o output da minha equipe. e que um manager que permanece no caminho critico tecnico e um manager que impede sua equipe de crescer.
Em 2026, a lideranca de engenharia se tornou um grande diferenciador no mercado de recrutamento de CTO. Equipes remote-first, desenvolvimento assistido por IA e runways curtos exigem managers capazes de encurtar o ciclo hire-to-autonomy abaixo de 90 dias, medir o Mean Time to Verification de um PR gerado por agente e orquestrar um mix de humanos + agentes IA no mesmo backlog. O relatorio Stack Overflow How engineering teams can thrive in 2025 diz isso explicitamente: o sucesso de uma equipe de engenharia em 2025-2026 depende menos da escolha de stack do que da capacidade do manager de projetar uma organização em que autonomia, experimentacao e qualidade são instaladas por padrao.
Minhas evidências
Anedota 1 : Crescer a equipe de integração ESB de 1 a 7
Quando cheguei no perimetro ESB do Grupo Pichet em 2021, a equipe de integração se sustentava por um único fio: um responsavel solo, Jean-Francois, mantinha sozinho uma plataforma Tibco BusinessWorks que orquestrava mais de 100 fluxos entre 20 aplicacoes de negocio - ERP contabil, tesouraria, PMS hoteleiro, PIM, DAM, marketing automation, IGA, SIRH, gestao de frota. 5 direcoes de negocio viviam desses fluxos e qualquer falha cortava lancamentos contabeis, leads CRM ou atualizacoes de preco nos sites do grupo. Por cima, o monitoramento SOFT Monitor disparava 2.377 notificacoes por mes em uma caixa de email compartilhada - uma fadiga de alerta real que afogava as falhas criticas no ruido da rotina.
Reconstrui a equipe tijolo por tijolo. Criei o espaco Jira ESB para centralizar todos os tickets de integração, iniciei a documentacao Confluence (fluxos ERP, IGA, guias Soft Monitor), depois em maio de 2022 lancei o Daily Integração Empresarial e o COPROJ quinzenal com os responsaveis de cada departamento de negocio. A partir de fevereiro de 2023, instalei um ciclo Agile completo (Sprint Planning, Sprint Review, Retrospective) adaptado as restricoes middleware. Conduzi a passagem de bastao com Jean-Francois em 10 sessoes dedicadas antes da sua saida para evitar qualquer disrupcao, contratei internamente (Kalala M., Melissa B.) e construi uma equipe mista com os prestadores Square IT e RS2I (Issam J., Achraf L.), impondo revisoes de código cruzadas entre internos e externos para quebrar os silos entre empresas. Em paralelo, dimensionei e arbitrei 84 demandas de fluxo levantadas por 8 times de TI - 65 retidas, 19 adiadas - construindo o primeiro modelo de estimativa do time e gerindo um envelope anual de cerca de 370 mil euros.
O time passou de 1 a 7 engenheiros entre 2021 e 2024, entregou mais de 100 fluxos em 20 sistemas corporativos com uma taxa de incidente de um digito, e sobreviveu a 4 trocas de CIO consecutivas sem perder cadencia. O Bus Factor subiu de 1 para 4 nos fluxos criticos, e os padroes de documentacao que estabeleci (DAA, DAT, DEX, DFX, runbooks por fluxo) viraram referencia do departamento.
Para além dos números, o que eu guardo e a disciplina que faz uma equipe sobreviver ao seu manager: radical candor nos 1:1, journal de decisões antes de cada encontro, contratar pela trajetoria e não pelo cargo atual. São gestos que rejogo hoje na ACCENSEO. Meu output já não e o código que eu escrevo: e a autonomia da equipe que eu deixo para tras.
Anedota 2 : Recrutar e formar os alternantes da ACCENSEO
Em setembro de 2024, comecei a ACCENSEO como CEO/CTO com uma restricao orcamentaria clara: para entregar varios clientes multi-setoriais em paralelo sem saturar meus dias, precisava montar uma pequena equipe rapidamente, mas sem quebrar a margem operacional do primeiro ano. A resposta foi a alternancia (contrato frances de aprendizagem): contratar 2 desenvolvedores e uma chefe de projeto com objetivo de autonomia em 3 meses.
Construi um funil de recrutamento especifico para alternantes - exercicio tecnico curto, entrevista de postura, simulacao em situação de produto - para filtrar a motivacao mais que o diploma. As 2 primeiras semanas de cada alternante eram dedicadas a pair-programming intensivo sobre as codebases ACCENSEO (a plataforma SaaS de contabilidade e as ferramentas internas), com guia de onboarding escrito, acessos progressivos DEV depois PROD e mentoria diaria. Desde a terceira semana, cada alternante assumia o ownership de um modulo de ponta a ponta, com revisao mensal de código e ponto semanal de objetivos. Para a chefe de projeto, dupliquei o padrao no pilotagem de uma missao cliente sob mentoria, depois liberei a autonomia completa quando o ritual de projeto estava instalado.
Em 3 meses, os 2 desenvolvedores e a chefe de projeto estavam autonomos no seu perimetro - capazes de enquadrar uma demanda de cliente, entregar de forma autonoma e animar suas proprias revisoes. A margem operacional da ACCENSEO se sustentou porque cada alternante assumia uma responsabilidade de produto real desde o primeiro trimestre, e não um papel de suporte.
Esse exercicio recalibrou minha forma de construir um time: contratar pela trajetoria de aprendizagem em vez do cargo atual, e aceitar que meu tempo de mentoria e o investimento de maior retorno em early-stage. E a mesma lógica que vou rejogar no próximo papel de CTO scale-up - um ciclo hire-to-autonomy curto faz a diferenca entre uma equipe que cresce e uma equipe que se esgota.
Minha autocrítica
Meu nível
Estou num nível Senior consolidado. A cobertura e completa no triptico recrutamento / performance / conducao de mudanca, validada por 5 anos de titulo Engineering Manager no Pichet e um MBA Gestao Estrategica de Projetos. O que falta fortalecer: o pitch board em ingles sob pressao e a leitura rápida de uma organização numa due diligence em menos de 72 horas.
E o pivot absoluto do meu perfil para os proximos 24 meses. Todos os recrutamentos CTO scale-up analisados em 2025-2026 colocam a lideranca acima da stack ou do dominio - sem ela, a arquitetura não se desdobra, a estratégia não e executada, a seguranca permanece teorica. Na minha postura atual, e a alavanca que transforma tempo individual em capacidade de equipe.
O salto Lead Tech (2019) → Engineering Manager (2020) se deu em 12 meses, validado pelo crescimento de equipe 1 → 7 na plataforma de integração ESB e pela sobrevivencia a 4 trocas consecutivas de DSI. A passagem EM → CEO/CTO em 2024-2025 confirmou a portabilidade da competencia de uma org estabelecida para uma criação.
Meus 4 reflexos que rejogo desde a passagem Lead → EM:
- praticar radical candor, nunca otimizar para ser apreciado mas para o crescimento de cada membro
- manter um journal 1:1 sistematico antes de cada conversa, 30 minutos semanais, a relação insight/tempo e imbativel
- recrutar pela trajetoria, não pelo cargo atual
- capturar cada decisão irreversivel em ADR para transmitir a memória ao sucessor
Minha evolução nesta competência
Meu projeto a 18-24 meses
A lideranca e o que me faz passar de Engineering Manager a CTO numa scale-up SaaS B2B de 10 a 30 engenheiros. Concretamente: assumir uma organização produto já constituida, redesenhar squads em torno das linhas de receita, conduzir um ciclo de 6 a 8 contratacoes senior e mid no primeiro ano, e instalar uma cadencia de delivery mensuravel. Sem essa competencia, arquitetura, estratégia e seguranca não se transpoem em escala de equipe.
O nível que visto e operacional e observavel: assumir uma organização de 10 a 30 engenheiros, redesenhar squads, contratar e fazer subir uma equipe senior, negociar o P&L tecnico com o board e instalar uma cultura de revisao por pares em 6 a 12 meses. Indicador: NPS interno >= 50 e ciclo *hire-to-autonomy* abaixo de 90 dias.
Peer-coaching mensal com 2 outros CTOs scale-up (um B2B SaaS finance, um B2C marketplace), cohort CTO Craft seguida mensalmente desde setembro de 2025, journaling 1:1 sistematico antes de cada compromisso de equipe. Master Expert em Engenharia de Software (ativo 2023-2026) e MBA Gestao Estrategica de Projetos (2023-2025) ancoram a camada academica.
Programa executivo organização e comunicação board-level planejado 2026-2027, acionado quando o alvo CTO scale-up se concretizar. Formacao negociacao salarial e construcao de oferta senior antes da primeira onda de contratacoes. Cohort advanced CTO Craft visada final de 2027.
Minhas leituras e ciclos de feedback
- releituras anuais de *The Manager's Path* (Fournier), *An Elegant Puzzle* e *Staff Engineer's Path* (Larson), *High Output Management* (Grove)
- rodada anual de feedback 360 com ex-colegas Pichet e alternantes ACCENSEO
- vigilia semanal sobre os blogs scale-up: Lethain, Charity Majors, Lara Hogan